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Sobre fusos e fé

A ironia é que a distância extrema favorece nosso contato íntimo - questão de fuso.
A geografia que desempenha o papel do perfeito eclipse solar.
Tanta crença em seu ateísmo... Enquanto eu, cética sobre todas as crendices que já habitaram em mim. Questão de fé.
Conheci-o no dia do fim do mundo. Ele, celebrando a vida. Eu, desejando a morte.
A improbabilidade de todas as congruências...
A inevitabilidade de todos os vícios.
Preciso ouvi-lo. Seus detalhes mais íntimos despidos languidamente... Seus temores lacrimejados em palavras de poética dor...
Os lampejos da sua humanidade remendados no espectro da minha estranheza.
Momentos raros de leveza humana ao ver o mundo sob sua óptica.
Devaneios de uma alma errante que tomo como minha a cada apalavra sua que leio.
Alimento-me de seus sonhos mortos. E é isso que está me mantendo viva...

Sabathela.


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Ao fundo

Estou me afogando... Simplesmente não consigo ser funcional. É possível ser soterrada pelos próprios pensamentos? Eu sou. E é na escuridão sufocante que eles me lançam que eu posso ser eu mesma. Somente. A luz do dia me cega. As pessoas me drenam. Quão trágico é dar-se conta que o melhor que terá na vida é, de alguma forma, gastar o máximo de tempo que lhe resta se escondendo? Escondendo-se na obscuridade do espectro inumano que se descobriu ser. Não quero sair. Não quero ninguém. Quero trancar a porta. Não quero sair. Não quero enxergar. Não quero ouvir. Não quero sair. Estou me afogando... Se escapar para a superfície, a morte será muito pior... Quero afundar. Quero ver a luz desaparecer. E, no medo de me perder, desaparecer... Estou me afogando. Sabathela.