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Notas Soltas

Eu sempre quis saber. Conhecer, provar, ver, entender.
Manejar habilmente o violino, sentir a nota de baunilha no Merlot, identificar o traço de Caravaggio, entender a alma e os segredos de Yeats, compreender os aspectos filosóficos e científicos da nossa existência, aprender a apreciar a companhia humana... Ser convencida de que meu ceticismo nada mais é que um reducionismo tolo e arrogante. Voltar a acreditar... Acreditar com o respaldo do conhecimento, e não com a desculpa da ignorância.
Busquei. Li. Vi. Estudei. Tentei. Falhei. Forcei. Do que me adiantou?
Trocaria tudo o que sei por uma dose, pequena que fosse, da indiferença anestesiante deles...
Não queria saber o que sei.
Não queria ter visto o que vi.
Não sou capaz de ir além...
E agora? Não tenho como retornar...Não tenho como voltar a ser o que era.
Não quero saber mais. Não quero ir além.
Estou suspensa no espaço. Suspensa no tempo.
Perdida entre épocas... Seres... Coisas... Estou flutuando invisível.
Não sei mais onde estou.
Não tenho mais como voltar.

Escapou-me das mãos...
Como tentei segurar...

Não consigo tocar o passado.
Não quero ser tocada pelo futuro.

O presente segue insuportável.

Sabathela.



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Ao fundo

Estou me afogando... Simplesmente não consigo ser funcional. É possível ser soterrada pelos próprios pensamentos? Eu sou. E é na escuridão sufocante que eles me lançam que eu posso ser eu mesma. Somente. A luz do dia me cega. As pessoas me drenam. Quão trágico é dar-se conta que o melhor que terá na vida é, de alguma forma, gastar o máximo de tempo que lhe resta se escondendo? Escondendo-se na obscuridade do espectro inumano que se descobriu ser. Não quero sair. Não quero ninguém. Quero trancar a porta. Não quero sair. Não quero enxergar. Não quero ouvir. Não quero sair. Estou me afogando... Se escapar para a superfície, a morte será muito pior... Quero afundar. Quero ver a luz desaparecer. E, no medo de me perder, desaparecer... Estou me afogando. Sabathela.