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Medo

Eu era uma menina. Medrosa.
Ah... Sempre o medo. Medo de atrair olhares e, assim, ter a minha natureza exposta. Ser despida languidamente da minha roupagem de indiferença, independência e segurança... Medo que descubram que sou uma fraude. Que não sei ser humana, exceto pelos mais rasos traquejos de alguns ritos sociais penosamente mimetizados.
Medo de encarar a rejeição daqueles que já, de alguma forma, enxergaram, mesmo em suas cegueiras, minha escuridão. Medo de ver em seus olhos os meus terrores noturnos e os uivos dos demônios que habitam em mim; visões e sons que suporto somente nas madrugadas solitárias, quando ninguém mais pode presenciá-los...
Uma alma cansada... Imolada... Esfolada... Cada resquício de sentimento arrancado a marteladas. Martelos de luz. E, agora, sobrou somente o medo.

Eu sou uma mulher. Medrosa.

Sabathela.

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Ao fundo

Estou me afogando... Simplesmente não consigo ser funcional. É possível ser soterrada pelos próprios pensamentos? Eu sou. E é na escuridão sufocante que eles me lançam que eu posso ser eu mesma. Somente. A luz do dia me cega. As pessoas me drenam. Quão trágico é dar-se conta que o melhor que terá na vida é, de alguma forma, gastar o máximo de tempo que lhe resta se escondendo? Escondendo-se na obscuridade do espectro inumano que se descobriu ser. Não quero sair. Não quero ninguém. Quero trancar a porta. Não quero sair. Não quero enxergar. Não quero ouvir. Não quero sair. Estou me afogando... Se escapar para a superfície, a morte será muito pior... Quero afundar. Quero ver a luz desaparecer. E, no medo de me perder, desaparecer... Estou me afogando. Sabathela.